Como avançar na agenda de bem-estar animal

Muitos governos e atores do setor privado também têm incorporado o tema como parte essencial das metas de sustentabilidade

Fonte: https://globorural.globo.com/opiniao/noticia/2025/01/como-avancar-na-agenda-de-bem-estar-animal.ghtml

Notícia publicada em 01/01/2025

Nas últimas décadas, o bem-estar animal evoluiu de tópico emergente a tema central na agenda de sustentabilidade/ESG. Embora reconhecido há tempos como crucial para enfrentar crises ambientais e promover o desenvolvimento sustentável, a Organização das Nações Unidas (ONU) recentemente reforçou seu foco no tema.

Em 2022, por exemplo, os Estados-membros adotaram uma resolução destacando o papel do bem-estar animal no enfrentamento de desafios ambientais, na abordagem One Health e no alcance dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS). Muitos governos e atores do setor privado também têm incorporado o tema como parte essencial das metas de sustentabilidade.

Hoje, há consenso de que o bem-estar animal promove segurança alimentar e saúde, reduzindo estresse e doenças, o que, consequentemente, aumenta a longevidade e minimiza o uso de antibióticos. Assim, além de uma questão ética, tornou-se peça-chave na solução de vários desafios dos sistemas alimentares atuais.

Pressões e desafios atuais

O número de empresas que publicam relatórios de sustentabilidade cresceu consistentemente na última década e está se tornando cada vez mais obrigatório. Com a pressão migrando do fornecimento de dados para a entrega de resultados, muitas empresas têm reavaliado e ajustado suas prioridades. Temos visto que antecipar-se às mudanças legais e de mercado é mais seguro e econômico do que adotar medidas urgentes diante de riscos à reputação.

A indústria alimentícia enfrenta demandas crescentes por rastreabilidade e controle de qualidade, além de exigências por transparência e divulgação de progresso. O Business Benchmark on Farm Animal Welfare tem destacado que alguns investidores utilizam o bem-estar animal como parâmetro para avaliar o desempenho geral de sustentabilidade de uma empresa.


Quem é responsável?

Nas últimas décadas, grandes marcas têm sido pressionadas a adotar práticas mais sustentáveis, utilizando seu poder de compra para influenciar a cadeia de valor. No entanto, o avanço depende de diversas partes, como fazendeiros, processadores, varejistas, restaurantes, supermercados e investidores.

Os varejistas, por exemplo, lideram compromissos de bem-estar animal, frequentemente em resposta à demanda dos consumidores, impulsionando mudanças junto aos fornecedores. Já os produtores, diretamente ligados aos animais, necessitam de apoio, segurança e planejamento de longo prazo oferecidos pelos compradores.

Outro destaque é o setor de pet food, onde a proteína animal está presente em mais de 93% dos produtos globalmente. No Brasil, segundo maior produtor mundial, o mercado cresce 5,6% ao ano, alinhando-se à tendência de dietas mais ricas em proteínas. Esse contexto reforça a importância do diálogo e de objetivos sustentáveis entre o setor e a cadeia de proteína animal.

A importância do aumento da colaboração na cadeia de valor

Barreiras à sustentabilidade – como financeiras, regulatórias, sociais, culturais, organizacionais, tecnológicas e de mercado – dificultam a implementação de práticas sustentáveis na complexa cadeia de suprimentos da indústria alimentícia.

A fragmentação interna e externa das empresas, com departamentos e atores operando sob diferentes prioridades e sistemas, reforça que esforços individuais são insuficientes. É essencial adotar uma cultura de colaboração, tanto internamente quanto entre os diversos participantes da cadeia.

Coalizões têm se mostrado eficazes ao alinhar expectativas, promover objetivos compartilhados e evitar conflitos de agenda. Além disso, oferecem vantagens financeiras ao compartilhar custos, reunir recursos e mitigar riscos, fortalecendo a resiliência e a segurança da cadeia de suprimentos na transição para sistemas alimentares mais sustentáveis.

O avanço do bem-estar animal como tema integral de sustentabilidade é evidente, mas exige novas abordagens para acelerar o progresso. A união dos principais participantes da indústria brasileira de proteína animal, como a realizada pela Colaboração Brasileira de Bem-Estar Animal (Cobea), uma iniciativa de cooperação pré-competitiva inédita no sul global, criada com o propósito de promover o bem-estar animal, representa uma oportunidade de tratar essas questões complexas de forma colaborativa, superando as limitações dos esforços individuais.

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