A COBEA nasceu em 2023 como resposta à necessidade de diálogo e alinhamento entre os diferentes elos da cadeia da proteína animal — do campo ao varejo.
Fonte: https://girodoboi.canalrural.com.br/pecuaria/bem-estar-animal-agora-tem-uma-alianca-inedita-conheca-a-cobea-e-como-ela-impulsionara-a-pecuaria-brasileira/
Notícia publicada em 21/04/2025

Com foco em práticas sustentáveis e responsáveis, oito grandes empresas brasileiras uniram forças para criar a Colaboração Brasileira de Bem-Estar Animal (Cobea), uma aliança inédita que promete transformar a forma como a pecuária é vista e praticada no Brasil. Assista ao vídeo abaixo e confira.
A iniciativa foi destaque no programa Giro do Boi, com a participação de Everton Andrade, médico-veterinário e especialista em bem-estar animal da JBS, Elisa Tjarnstrom, diretora executiva da Cobea, e José Ciocca, diretor da Produtor do Bem, programa nacional de certificação de bem-estar animal.
Cobea: união de forças pelo bem-estar animal
A Cobea nasceu em 2023 como resposta à necessidade de diálogo e alinhamento entre os diferentes elos da cadeia da proteína animal – do campo ao varejo.
O objetivo é claro: padronizar compromissos, promover boas práticas e consolidar o Brasil como líder global em bem-estar animal.
“A ideia é que todas as empresas falem a mesma língua quando o assunto é bem-estar animal. A união permite mais impacto, mais diálogo e maior visibilidade internacional”, explica Everton Andrade, da JBS.
Empresas como Nestlé, JBS, Minerva Foods, Special Dog, Danone, Planalto Ovos, Mantiqueira e IMC estão entre as primeiras a aderirem à coalizão.
Certificação nacional e realidade brasileira
José Ciocca, da Produtor do Bem, destacou que a certificação oferecida pela entidade tem um diferencial: é adaptada à realidade do Brasil.
“Criamos uma certificação multinível, que respeita desde o produtor que está começando até aquele que já está próximo do ideal. É uma solução tropicalizada, feita para o Sul Global.”
A certificação ajuda a monitorar, mensurar e melhorar os resultados produtivos e também abre portas para mercados exigentes, como o Japão, a Coreia e a União Europeia.
Europa e o apetite por alimentos com responsabilidade

Elisa Tjarnstrom, que tem experiência internacional e está à frente da Cobea, reforça que o consumidor global está mais exigente.
“Hoje, os mercados internacionais não aceitam apenas volume. Eles querem saber como foi produzido, se houve respeito ao animal e ao meio ambiente”, destaca.
Segundo ela, a Cobea atua também como vitrine para boas práticas brasileiras e já busca conexões com iniciativas similares em outros países, com foco em comunicar ao mundo o que o Brasil faz de melhor.
Além de garantir melhor reputação no mercado e acesso a novos compradores, adotar práticas de bem-estar animal traz vantagens financeiras diretas ao produtor.
Everton Andrade lembra que:
- Animais bem tratados têm melhor desempenho zootécnico;
- Reduzem-se perdas por lesões ou estresse;
- Melhora-se a qualidade do couro e da carne, aumentando a remuneração final.
Cadeia completa: da pecuária à indústria pet
A Cobea integra toda a cadeia da proteína animal, inclusive segmentos muitas vezes esquecidos, como o setor pet food, que utiliza subprodutos da pecuária.
Além disso, setores como o couro, moda e automotivo de luxo também estão atentos ao tema e pressionam por rastreabilidade e responsabilidade nas fazendas.
Como o produtor pode participar
Mesmo sendo uma iniciativa inicialmente corporativa, a COBEA quer ampliar sua atuaçao junto aos produtores rurais, associacoes e cooperativas. A proposta é que cada elo da cadeia traga uma parte da soluçao. “O produtor rural precisa enxergar bem-estar animal como ferramenta de produtividade, além do aspecto ético, Com cuidado e manejo correto, os ganhos sao reais”, diz Everton.
A aliança também já está em contato com o Ministério da Agricultura e outras entidades para ampliar parcerias, desenvolver linhas de crédito e promover capacitaçao.
O Brasil pode ser líder global em bem-estar animal. A COBEA chega para mostrar ao mundo que o Brasil nao é só potencia na produçao de alimentos, mas também está comprometido com práticas responsáveis, éticas e sustentáveis. “O que nao é comunicado, nao é valorizado. Eo Brasil precisa contar melhor sua história”, reforça Ciocca.


