Bem-estar animal avança como estratégia de valor e sustentabilidade na cadeia de proteína

Práticas ligadas ao manejo e à gestão socioambiental ganham força no setor e passam a influenciar produtividade, competitividade e acesso a mercados

Fonte: https://feedfood.com.br/bem-estar-animal-avanca-como-estrategia-de-valor-e-sustentabilidade-na-cadeia-de-proteina/

Notícia publicada em 30/04/2026


O bem-estar animal tem ganhado espaço como um dos pilares estratégicos na cadeia de produção de proteína no Brasil, deixando de ser apenas uma exigência técnica para se consolidar como fator de competitividade, sustentabilidade e geração de valor no setor. Em um cenário de maior exigência por transparência e responsabilidade socioambiental, o tema passa a influenciar diretamente decisões produtivas, comerciais e financeiras.

Ao longo dos últimos anos, a integração entre eficiência produtiva, inovação tecnológica e práticas sustentáveis tem se fortalecido dentro das cadeias de aves, suínos e bovinos. Nesse contexto, o bem-estar animal surge como elemento central para garantir qualidade, reduzir riscos e atender às demandas de mercados cada vez mais atentos à origem dos produtos.

Segundo o consultor em agronegócio e sustentabilidade, Fabricio Delgado, o tema já deixou de ser uma tendência para se tornar realidade no setor. “Ao longo do tempo a gente vem falando em bem-estar animal, vem tratando o bem-estar animal e hoje estamos vivendo na realidade o bem-estar animal. Esse é um evento preparado para tratarmos dos assuntos referentes ao tema e que estamos vivendo na prática”, afirma.

Integração entre eficiência e sustentabilidade

A relação entre bem-estar animal e desempenho produtivo tem se tornado cada vez mais evidente dentro das cadeias agroindustriais. A adoção de práticas mais adequadas de manejo contribui para melhorar índices zootécnicos, reduzir perdas e aumentar a eficiência dos sistemas produtivos.

Para Sheila Guebara, diretora de Sustentabilidade da Seara, esse movimento representa uma mudança estrutural na forma como o setor enxerga a produção. “A integração entre eficiência produtiva, bem-estar animal e inovação tecnológica vem se consolidando como um diferencial competitivo na agregação de valor à proteína brasileira. Diante da crescente demanda global, a eficiência deixa de ser apenas operacional e passa a ser estratégica, diretamente ligada à sustentabilidade e à segurança alimentar”, destaca.

Ainda de acordo com a executiva, práticas de bem-estar animal também têm impacto direto na rentabilidade da atividade. “Para produtores e consumidores, o impacto é direto: quem cumpre metas de bem-estar tende a ser melhor remunerado, mostrando que ser sustentável também é rentável”, completa.

Agenda ESG e impacto no mercado

A consolidação do bem-estar animal também está diretamente ligada ao avanço da agenda ESG no agronegócio. Cada vez mais, investidores e instituições financeiras incorporam critérios socioambientais na avaliação de risco e na tomada de decisão.

Segundo Maria Silvia Chicarino, head de Riscos Socioambientais do Santander, a gestão desses fatores passou a ter papel central no setor. “Hoje, a capacidade de gestão socioambiental dos clientes é central na avaliação de risco. Nesse contexto, o bem-estar animal ganha relevância, especialmente na cadeia de proteína animal, por estar ligado a riscos reputacionais, operacionais e de mercado”, explica.

A executiva ressalta que empresas que adotam boas práticas tendem a apresentar maior consistência no longo prazo. “Empresas com boa gestão socioambiental tendem a ter desempenho mais consistente, com maior previsibilidade e resiliência, fatores valorizados pelo mercado financeiro”, afirma.

Bem-estar animal como critério de investimento

A relação entre sustentabilidade e acesso a capital também se intensifica à medida que o setor evolui. A incorporação de critérios ligados ao bem-estar animal passa a influenciar diretamente a viabilidade de investimentos e financiamentos no agronegócio.

De acordo com Bruno Bernardo, analista de Investimentos Sustentáveis da Régia Capital, o tema já é considerado essencial na avaliação de projetos. “A preocupação e o cuidado com o bem-estar animal é um dos critérios mínimos esperados para que um investimento possa vir a ser considerado sustentável”, afirma.

Ele destaca ainda que a adoção dessas práticas pode gerar ganhos econômicos relevantes. “Atrelar boas práticas de bem-estar animal pode contribuir com ganhos financeiros, uma vez que aumenta a eficiência da produção, pode elevar o valor agregado do produto final e pode reduzir emissões de gases de efeito estufa”, pontua.

Desafios e evolução do setor

Apesar dos avanços, o setor ainda enfrenta desafios para ampliar a adoção das práticas de bem-estar animal de forma homogênea. A necessidade de alinhamento entre os diferentes elos da cadeia produtiva, desde o produtor até o mercado, segue como um dos principais pontos de atenção.

Para Leonardo Thielo de La Vega, sócio fundador da Produtor do Bem e cocriador da COBEA, a evolução depende de uma atuação conjunta. “Teremos uma programação que nos dará uma visão macro de como mercado e cadeia de valor podem atuar conjuntamente para facilitar os avanços, em benefício de ambos no país”, afirma.

Na mesma linha, a diretora-executiva da COBEA, Elisa Tjarnstrom, avalia que o tema já está consolidado no debate, mas ainda exige evolução prática. “O bem-estar animal é hoje uma realidade que traz desafios, mas com amplas oportunidades para quem entender sua importância. O tema está em evidência e precisamos trabalhar juntos para desbloquear suas barreiras no Brasil”, conclui.

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